Duas vidas que andam juntas proporcionam equilíbrio mútuo. Dois seres, divididos, viram um. Compartilham alegrias, amenizam tristezas. Encontram-se diariamente após as atribulações da vida – então, descansam juntos, solenemente. Como é doce ser um casal.
Nestas condições, são solidificados planos, sonhos. No futuro, imaginam-se apenas contíguos. Quando necessário, formam ao outro uma terceira perna, formadora do tripé assente que impede tombos. Há também, é inegável, os momentos em que é necessário a um deles desvencilhar-se da estrutura estável. Caminha-se mais rápido com duas pernas. Atinge-se velocidade ainda maior quando é sabido que, a qualquer momento, quando a rapidez nos fizer tropeçar – e ela sempre faz – o porto seguro nos segurará, com prazer.
Momentos trazem dificuldades, barreiras se transpõem. Amar é necessidade; paciência, virtude.
Virtude relativa que nem todos possuem. E, pela falta que se faz, a virtude na sua ausência impede, por infelizes vezes, a consolidação dos planos apaixonadamente traçados. Por vezes desgasta, por vezes enraivece.
Agora, transmuta-se o anseio do amor apetitoso de beijos e afagos ao amor encoberto, mascarado por um sentimento controverso de aversão. Contendas e disputas inexplicavelmente tolas figuram a paisagem e simbolizam a vista.
Separados. Se ao eterno, o futuro outorga. O passado unido, na mente, no corpo e na face resplandece.
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