27 fevereiro 2011
O doce veneno do elefante
17 novembro 2010
Severino, Nenê e Chavez
São Lourenço, zona da mata de Pernambuco. Pegando uma estradinha deterra a partir da BR 408, surge o acampamento Maria Paraíba. Com cerca de 1.400 hectares, a terra correspondia aos antigos engenhos de cana-de-açúcar Curupati e Pixaú. Hoje, 326 famílias estão acampadas, pleiteando a desapropriação da terra para fins de reforma agrária. Famílias de cortadores de cana que há 5 anos trabalhavam na mesma área que hoje ocupam: as atividades da propriedade foram paralisadas devido a complicações judiciais envolvendo o proprietário e desde então nada saia desse chão – somente ações trabalhistas, que ainda estão em trâmite na justiça.
Dificultados em prosseguir com seus sustentos, os trabalhadores tiveram de procurar alternativas de sobrevivência. Trabalhavam em outras terras da região e iam dando prosseguimento a suas vidas. Foi quando apareceram pessoas de bonés vermelhos propondo uma solução: a ocupação das terras em que eles trabalhavam, a dos engenhos fechados.
Os emissários do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra fizeram na localidade o chamado trabalho de base. Ele intenta a mobilização dos trabalhadores rurais ainda não envolvidos no movimento. Consiste primeiramente numa visita de porta em porta para convocação de uma reunião, na qual os interessados participam, conhecem melhor o movimento e se envolvem em alguma ocupação na área. “O pessoal do MST veio, juntou o povo e a gente veio pra cá”, resume com muita eficiência Seu Severino Amaro.
Esse foi o primeiro contato de Severino com o movimento. Ex-trabalhador do engenho, depois de 30 anos de serviços prestados foi demitido quando da desativação e não recebeu seus direitos. “Eles demitem e mandam a gente ir pra justiça. Na justiça é uma demora danada, até agora nada”. Pai de oito filhos, Seu Severino é um acampado regular, ainda não tem envolvimento mais direto com a organização política do movimento. Sua mulher está inscrita no programa bolsa-família - e ele também trabalha fora do acampamento para garantir o sustento dos seus. “A gente não sabe ainda se vai ficar aqui ou não, aí não dá pra plantar muito. Tem uma macaxeirinha plantada, um feijão, mas tem que comer carne, né? Que vestir...”, afirma Seu Severino, ainda inseguro com o futuro do acampamento.
Participante do momento da ocupação, no dia 11 de fevereiro de 2010, o acampado explica como ocorreu. “A gente chegou de noite, veio um pessoal de outras terras. No começo teve um bate-boca com o pessoal do engenho, mas depois eles foram embora”. Essa prática de mobilizar pessoal em momentos importantes é comum, segundo o Sem Terra: “Para um ônibus ou dois aí, o pessoal entra e vai simbora”. Perguntado se havia algum tipo de exigência na participação, seu Severino foi enfático: “Não! Vai quem quer.” E depois de uma pausa disse: “Mas todo mundo quer, todo mundo aqui se ajuda; eu vou ajudar um companheiro a conseguir a terra dele porque eu sei que ele vem me ajudar quando eu precisar”, conclui o senhor acampado há menos de 1 ano.
Na micro-hierarquia da estrutura do MST, há diversos cargos. Dona Nenê, com quem conversamos, passou por vários deles. Pode-se dizer que ela construiu carreira dentro do movimento: começou como acampada, assim como a imensa maioria dos Sem-Terras; virou Coordenadora de Núcleo de Família, juntamente com um coordenador masculino, com o dever de liderar a mobilização dos companheiros assentados para atividades cotidianas; passou, então, a ser Secretária, cargo que exige extrema responsabilidade, pois administra o dinheiro arrecadado coletivamente em ocasiões de urgência, como a compra de remédios ou o socorro de algum enfermo ao hospital mais próximo; com a continuação, passou a ser Coordenadora de acampamento, sendo, junto com um homem, a principal líder do acampamento em que mora. Ao se destacar, Dona Nenê foi escolhida para ir a Caruaru, onde adquiriu uma formação educacional mais sólida, dentro dos princípios do movimento. Após esta capacitação é que, enfim, ela virou Dirigente de Brigada, mais um cargo que, por uma preocupação constante no MST frente à igualdade de gêneros, é compartilhado com um homem, e que ela ocupa até hoje. Isso significa que ela representa o MST nos municípios de Paudalho, Igarassu, Carpina, São Lourenço, Chã de Alegria e Camaragibe.
Para sustentar a atuação dessas pessoas, há uma complexa estrutura político-administrativa: instâncias locais, regionais e nacionais. Nos assentamentos, há os Núcleos, com seus coordenadores. Numa área maior, que engloba vários assentamentos, há a Brigada, que também possui seus dirigentes. Conjuntos de Brigadas são englobados na Direção Regional. De modo ainda mais abrangente, há a Direção Estadual para cada unidade da federação. E, finalmente, existe a Direção Nacional – onde figura João Pedro Stédile, o mais famoso líder do movimento.
O principal motor declarado de toda essa engrenagem é o Congresso, reunião de caráter nacional, com representação de todos os estados, que chega a reunir mais de 15 mil pessoas. Neste espaço, teoricamente organizado a cada cinco anos, deveriam ser definidas as linhas políticas de atuação do movimento: primeiramente, faz-se uma avaliação do panorama das últimas realizações para, a seguir, discutir-se as prioridades que serão encampadas no qüinqüênio que começa e, enfim, poder definir um planejamento estratégico que norteará a organização até o próximo Congresso.
Para uma análise parcial de como estão transcorrendo as atividades, há, a cada dois anos, outro evento com dimensão nacional: o Encontro, que elege os dirigentes nacionais. Nele, é possível atualizar e redimensionar as deliberações aprovadas pelo Congresso.
Observamos que, a despeito do tempo propagado pelos organizadores entre um Congresso e outro, não há, na realidade, uma regularidade crônica, com solidez institucional. O IV Congresso foi realizado em 2000, enquanto o V Congresso só aconteceu em 2007. Há ainda acusações de que as diretrizes aprovadas pelo Congresso são, na realidade, elaboradas pela coordenação nacional – e que a aprovação das matérias se dá sem a devida discussão prévia.
Chamam atenção certos pontos da linha política deliberada nos documentos oficiais do MST, pela distância entre certos elementos defendidos e a realidade sócio-política dos assentados: um projeto popular que “combata o neoliberalismo e o imperialismo”; a luta contra as privatizações e pela reestatização das empresas privatizadas; a construção da ALBA, organização dos países bolivarianos, liderada pelo venezuelano Hugo Chavez. Serão essas questões referentes à reforma agrária? Será que Seu Severino, ao falar de sua roça, da comida para os seus filhos e da roupa que precisa pra vestir, está preocupado com o neoliberalismo ou com a ALBA?
23 setembro 2010
Manifesto em defesa da democracia
Numa democracia, nenhum dos Poderes é soberano. Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável que militantes partidários tenham convertido órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais em valorizar a honestidade.
É constrangedor que o Presidente não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras, mas um inimigo que tem de ser eliminado.
É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É deplorável que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.
Assine a petição aqui.
17 setembro 2010
A saúde "neoliberal" do governo "socialista"
01 setembro 2010
Um temporal que nos ameaça
É a água que se acumula, anunciando uma inundação. Já foram violadas em agências da Receita no ABC paulista as informações de cerca de 140 cidadãos - entre eles, 5 estão ligadas à campanha de José Serra à presidência.
Nesta poça de lama, as gotas mais recentes atingiram Mônica Serra, filha do tucano. Antes, já haviam atingido Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB - cujos dados fiscais foram encontrados em meio a papéis reunidos por pessoas que trabalhavam na campanha de Dilma Roussef, a invenção lulista.
Trata-se de um escândalo! Um órgão do Estado - e não um órgão qualquer, estamos falando da Receita Federal (que deveria ter lisura para defender os dados de todos os pagadores de impostos!) -, além de não cumprir seu papel fundamental, está sendo sumariamente utilizado por interesses escusos. Interesses de um grupo político!
Veja bem: se nada acontecer, se essa história não for devidamente investigada, se ninguém for punido... é porque nossa Constituição não vale de muita coisa, tem menos poder do que devia. As leis estão perdendo o controle sobre setores do Estado. E se não é a Constituição que está controlando o Estado, quem é que passa a controlar? Exatamente, um grupo político!
Um regime em que as leis não valem, somente contam os interesses de um grupo político poderoso... A isso chamemos pelo devido nome: ditadura. Um temporal que nos ameaça.
31 agosto 2010
O papelão de Serra
29 agosto 2010
Eleitores menos interessados
As eleições de outubro se aproximam e grande parte da sociedade brasileira não está se importando com o evento. Apesar do voto obrigatório, uma anomalia nacional, as pessoas parecem cada vez mais desestimuladas, acompanhando menos o processo eleitoral.
Não sei se você já viu por aí, mas é comum ouvir pelas ruas populares dizendo que votarão em "Vilma, a mulher do Lula". Esse fenômeno, além de evidenciar o grande poder de transferência de votos do atual presidente, demonstra que o nível de interesse de um grande setor da população ainda não é suficiente para que saibam o nome da principal candidata à presidência.
Para ilustrar isso, há um interessante dado do Datafolha: a essa altura da campanha, em agosto de 2002, 59% dos entrevistados haviam assistido o programa eleitoral dos candidatos à presidência; em agosto de 2006, a essa altura da campanha, o número estava em 46%; no atual processo eleitoral, apenas 36% dos entrevistados assistiram ao guia da televisão. Confira o gráfico:
Somente a audiência do guia eleitoral não é dado suficiente para atestar o grau de mobilização popular, mas, certamente, configura uma dado interessante. Dado que nos leva a pensar nosso atual modelo de processo eleitoral. Devemos, realmente, continuar pagando para que os partidos políticos e candidatos tenham todo esse espaço de exposição na TV e no rádio? Sim, nós pagamos. Afinal, ele só é gratuito para os partidos porque nós, a sociedade, pagamos a conta. Pagamos, sim, mas assistimos cada vez menos.
Outra reflexão necessária: a tendência que se desenha é que as eleições brasileiras serão decididas por uma imensa massa de desinteressados. Será que já não passou da hora de revermos a obrigatoriedade do voto?
08 julho 2010
Ineficiência constitucional
23 outubro 2009
A Liberdade está na estrada
O tour é uma iniciativa do OrdemLivre.org, organização brasileira para divulgação do pensamento liberal. O evento recifense teve a presença de 4 palestrantes: Diogo Costa, cientista político e editor do Ordem Livre; Rodrigo Constantino, economista; Lucas Mafaldo, psicólogo e mestre em filosofia; e Gabriel Gallo, líder estudantil venezuelano.
O evento foi bastante enriquecedor, ao reunir e congregar simpatizantes do ideário liberal. O principal aspecto, no entanto, está na divulgação das idéias de liberdade num contexto como o brasileiro, de quase monopólio cultural das esquerdas - especialmente dentro do âmbito acadêmico.
Diogo Costa
A palestra inicial dedicou-se a situar o pensamento liberal no espectro político contemporâneo e apresentar suas bases filosóficas. Um homem é, sempre, um fim em si mesmo e não pode ser usado por outra pessoa ou grupo de pessoas como um objeto. Para tanto, é preciso respeito à propriedade humana (ou seja, àquilo que é próprio do homem): vida, liberdade e o resultado de tudo que você faz usando esses preceitos – ou seja, o patrimônio que você constrói.
Lançadas as premissas, dedicou-se à análise da divisão mais comum atualmente do pensamento político: criticou o velho modelo baseado no dualismo ‘direita x esquerda’. Este arquétipo político está ultrapassado. Uma rápida demonstração: é comum classificar como exemplo da extrema direita uma pessoa como Hitler e, ao mesmo tempo alguém como Stalin é o símbolo da extrema esquerda. Convenhamos, não há exatamente grandes diferenças entre estes dois assassinos. A proposta do OrdemLivre é que situemos um posicionamento político com base em dois eixos: progressismo x conservadorismo e liberdade x autoritarismo. Assim, a concepção de Estado liberal estaria representada por uma localização central no quadrante da liberdade, conferindo uma colocação neutra no outro aspecto. Em outras palavras, o liberal acredita que o Estado deve ter um posicionamento amoral, pautado na defesa da liberdade e na não imposição de conceitos.
Ressalta pessoal: isso não significa, nem de longe, que um liberal não possui suas próprias convicções morais. Significa que ele acredita que não cabe ao Estado impor uma das visões aos indivíduos.
Outro ponto abordado que levanta interesse: a necessidade de emergência de um contra-gramiscismo dentro do ambiente cultural brasileiro, que é amplamente monopolizado pelas idéias da esquerda.
Rodrigo Constantino
O capitalismo está em crise? Foi sobre essa pergunta que o economista se debruçou. Para respondê-la, expôs importantes conceitos do pensamento econômico liberal e explicou as origens da atual crise econômica sob a ótica da escola austríaca. Tendo sempre em mente que no liberalismo os mercados devem manter-se livres da interferência estatal, vamos a sua argumentação.
Segundo Constantino, a manipulação das taxas de juros pelo Fed, banco central americano, foi a grande causa da crise. A taxa de juros, essencialmente, nada mais é que o principal preço do sistema capitalista: o do capital. Naturalmente, este indicador é aferido pela relação entre dinheiro poupado e dinheiro vendido, ou seja, quanto os bancos possuem (oferta) e quanto se demanda que ele empreste. Quanto maior a poupança, maior a oferta de capital e, portanto, menor é seu o preço - os juros. Daí decorre que uma queda na taxa de juros incentiva o consumo – já que fica mais fácil financiar as compras. E um aumento na mesma taxa incentiva o poupador, retraindo o consumo – já que o dinheiro sendo mais caro se torna mais lucrativo.
Ocorre que, nos últimos anos, com o objetivo de incentivar o consumo e movimentar a economia, o Fed manteve os juros artificialmente baixos. Essa medida foi tomada, especialmente, após cada crise (e foram significativas nos anos 90: Brasil, Japão, Nasdaq) – com o objetivo de retardar seus efeitos. Acontece que toda manipulação gera uma distorção e o movimento natural é que essa distorção seja compensada de algum modo mais na frente. Ironicamente, esta medida também foi tomada nesta crise – o que sugere que mais na frente sofreremos mais conseqüências. Na metáfora de Constantino, a economia estava em festa, tomando todas numa orgia, com direito até a rodadas de álcool grátis. Então, veio a ressaca. E que medida tomaram? Deram mais bebida ao bêbado.
A manipulação artificial da taxa de juros já demonstra a grande influencia do Estado na origem da crise. Mas não foi só isso. A interferência do governo pode explicar também qual o epicentro dessa coisa toda: o setor imobiliário. Desde muito tempo há nos Estados Unidos uma política de auxílio e incentivo à compra da casa própria, através do RCA – Reinvestiment Comunnit Act. Esta lei determina que os bancos devem emprestar parte de seu dinheiro à pessoas que não tem condições de comprar sua casa própria. Além disso, o governo financiou diretamente este populismo, através das para-estatais Fannie Mae e Freddie Mac (como, no Brasil, ocorre com a Caixa no programa Minha Casa, Minha Vida). Para tanto, o governo funcionava como avalista destas pessoas que pegaram dinheiro emprestado. Esta política gerou uma bolha no setor imobiliário americano, que estourou e serviu de pontapé inicial à crise.
(Num post futuro vou explicar mais detalhadamente os mecanismos que fazem com que estas medidas se tornem tão significativas a ponto de gerar uma crise de tão grandes proporções)
A conclusão, enfim, é que o governo possui impressões digitais nas principais cenas da crise. Em outras palavras, ao contrário do que políticos alardeiam aos quatro cantos, não vivemos crise do capitalismo, muito menos do liberalismo: vivemos, sim, uma crise do intervencionismo na economia.
Lucas Mafaldo
O psicólogo e mestre em filosofia abordou o tema Justiça Social e apoiou sua palestra no pensamento do filósofo norte-americano Robert Nozick. Inicialmente, Mafaldo versou sobre o difundido costume das pessoas de considerar justo aquilo que se aproxima de suas aspirações, de seus desejos.
As pessoas fazem idealizações da sociedade. Então, comparam sua visão da sociedade real a sua própria sociedade idealizada. Quando as características estão próximas, a pessoa conclui que se trata de uma sociedade justa. Quando não, é uma sociedade injusta.
Este modelo de justiça, no entanto, traz em si muitos problemas. Todos possuem idealizações de sociedade. Alguns pensam que o ideal é destacar socialmente a posição dos médicos; outros, acreditam que os juristas merecem grandes recompensas; há ainda os que pensam nos artistas como merecedores das maiores honrarias. O pensamento esquerdista difunde aos quatro cantos que justo mesmo é que todos tenham igualdade financeira e social. Como seria possível conciliar tantos modelos e chegar a uma sociedade justa de modo democrático, a respeitar as normais divergências existentes?
Neste paradigma de justiça, a tarefa é impossível. Isto demonstra a inconsistência deste modo de conceber o que seria justiça social. Para resolver esta questão, Nozick dirá que não podemos recortar a realidade social, tirá-la de seu contexto de construção e fazer juízo de valor a partir daí, como se a justiça social pudesse ser representada numa foto – e a comparação da foto com seu ideal da foto fosse o parâmetro de justo. Esta, no fim das contas, é uma postura autoritária – que procura definir os rumos da sociedade, limitando suas possibilidades de destino.
O que Nozick propõe é que a justiça está no processo. Ou seja, que o que torna algo justo ou injusto é a forma como foi concebido, construído. Dentro desta idéia, lembrando as premissas liberais, justo é todo processo que respeita a vida, a liberdade e o patrimônio de todos. Não cabe ao Estado julgar qual seria o resultado final ideal. Cabe ao Estado somente acompanhar a justiça dos processos.
Neste sentido, a liberdade não está num lugar específico onde devemos tentar chegar. A liberdade está na estrada.
Sendo assim, dados sobre desigualdade financeira são, de fato, interessantes, mas estão longe de serem o que realmente importa. Falar que uma sociedade é economicamente desigual não corresponde a falar que uma sociedade é injusta. A justiça não está na foto. A justiça está na estrada.
Gabriel Gallo
O líder estudantil venezuelano está na frente da resistência à ditadura Chávez. Em sua palestra, Gallo expôs o que é o bolivarianismo chavista – também chamado de socialismo do século XXI. Foram abordados os aspectos práticos e ideológicos desta prática e discurso políticos.
Em resumo, trata-se de um regime de supressão das liberdades individuais e da construção de um Estado gigante e opressor. O Estado deixa de ser um prestador de serviços aos cidadãos para se tornar senhor.
Os pilares deste tipo de regime são antigos conhecidos: alta intervenção (para não dizer controle) na economia e interferência do Estado sobre a vida privada dos cidadãos (a última do governo Chávez é a tentativa de regulamentar o tempo do banho das pessoas, devido à crise de abastecimento d’água – gerada pela ineficiência das estatais que cuidam da infra-estrutura do país), além do expansionismo expresso na Alba (Alternativa Bolivariana das Américas) – onde países estão sendo cooptados pelo caudilho e seguindo seus passos rumo à destruição da democracia.
22 junho 2009
Liberdade lança luz sobre o Brasil
É interessante a tara brasileira por diplomas. Há quem diga que nosso fetiche por títulos (graduado, mestre, doutor...) seja uma herança dos tempos coloniais, de Condes, Barões e Duques. Faz sentido. Afora questões de status social, o fato é que, hoje, vivemos sob um paradigma, limitado, de que diplomas são garantia de qualidade – ou, pior, a única forma possível de qualificação. Nada mais descolado da realidade.
Não obstante o péssimo nível das universidades brasileiras (e, mais abrangente, do sistema educacional como um todo), é sobre o campo idealizado dessa visão que quero conversar. Ela possui graves erros, lógicos e morais. Parte-se da premissa de que o Estado é que deve escolher o que é melhor para os indivíduos, como se os burocratas tivessem algum tipo de áurea sobre-humana capaz de fazê-los infalíveis. E, pior: como se o Estado fosse dono das nossas vidas – ou o maior responsável por elas.
Nunca é demais lembrar que não há virtude em ações não voluntárias. A virtude, a beleza da vida, está na autonomia, em fazer as escolhas certas. Se não há escolha a fazer, não há virtude – há somente o tempo passando na janela. Que o Estado pese menos em nossos ombros. “Somos nós que fazemos a vida, como der, ou poder ou quiser”. É preciso celebrar a vitória e seguir em frente na defesa da Liberdade.
03 maio 2009
Os democracismos e a democracia
É sempre ilustrativo lembrar que os principais governos do tenebroso período nazi-fascista possuíram amplo apoio popular. E é obviamente estúpido insinuar que aquele foi um momento democrático. Não, foi um momento assassino. Com respaldo do povo, mas não menos assassino.
O substancial no espírito democrático, de longe, não é a submissão geral às vontades populares. O grande ganho cultural está no respeito aos direitos fundamentais de cada homem. É o respeito às minorias o que caracteriza o ambiente democrático.
Neste sentido, é claro que democracismos (como um plebiscito) não fazem democracia. Em geral, estes artifícios não passam de tentativas de suprimir direitos individuais. Direitos que devemos sempre defender, vigilantes. Para o bem da liberdade e o bom caminhar de qualquer sociedade.
13 novembro 2008
Sobre a crise econômica
A crise de (má) fé
A fé no mercado desapareceu: a crise atual é a crise do capitalismo, do liberalismo e do laissez-faire. Esse é um fato firmemente estabelecido para a maior parte dos intelectuais, da mídia e dos políticos. Denunciam-se os mercados e os especuladores, esquecendo-se um pouco depressa de que a responsabilidade pela crise talvez se encontre também – e, sem dúvida, principalmente – no lado político. Uma pequena omissão, portanto. Ou um ato de má fé e de propaganda, por meio do qual se introduzem medidas que vão aumentar ainda mais o poder dos políticos – que não havia milagrosamente desaparecido, longe disso. A última semana foi assim, repleta de declarações de má fé.
O ex-primeiro ministro francês Michel Rocard, entrevistado por Le Temps na Suíça, confessou calmamente que era uma pena que o economista Milton Friedman, prêmio Nobel de 1976, já tivesse morrido, porque teria sido possível arrastá-lo perante o Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade (isto é, por ter defendido o liberalismo). Perdoemos o Sr. Rocard por este ato de bravura intelectual (seu “acusado” teria dificuldade de lhe responder), mas lembremos a ele que Friedman é o pai da regra monetária do crescimento do estoque de moeda de acordo com o do produto, que, se respeitada, teria evitado essa crise...
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, por sua vez, preconizou um “retorno da política”, porque “a ideologia da ditadura dos mercados e da fraqueza pública morreu”. O grande democrata Hugo Chávez, aliás, não demorou a saudar o “camarada Sarkozy”. É um sinal. Em seu grande discurso anterior, há um mês, o presidente que “queria dizer a verdade completa aos franceses” só lhes havia dito, de fato, a metade. Escondendo as responsabilidades públicas por essa crise, o presidente francês colocou seu país em uma via perigosa. O presidente, que diziam ser liberal há apenas alguns meses, deve ter mudado de fé, por força do pragmatismo.
Mas a maior surpresa vem, sem dúvida, da “angústia” do ex-presidente do Federal Reserve, no comando da política monetária da principal potência mundial. Sua fé no mercado também deve ter sofrido um duro golpe. Quando lhe perguntaram sobre sua responsabilidade pela crise, ele se disse surpreso de que os agentes do mercado não tivessem se comportado bem diante de sua política monetária explicitamente frouxa! O Sr. Greenspan havia visivelmente se esquecido de que sua política monetária podia alterar os incentivos aos agentes...
Perante o que parece fortemente má fé propagandística, é urgente que as pessoas informem-se sobre a verdadeira origem dessa crise. É claro que os agentes das finanças agiram de maneira irresponsável. Ninguém contesta isso. Os riscos foram subestimados. A questão é saber onde está a origem dessa irresponsabilidade. Pelo menos duas respostas são encontradas.
- A política monetária americana de dinheiro gratuito (com taxas de juros reais negativas) entre 2002 e 2005 para “estimular” a economia, o anúncio do Fed de que, em caso de bolha financeira, ele garantiria a quebra (compreenda: “lucros privados, perdas socializadas!”), e depois o súbito e importante aumento dos juros (sufocando os tomadores de empréstimos a taxas variáveis). O Fed tornou-se um criador de bolhas!
- A política social americana consistente em permitir a famílias modestas ter acesso à casa própria, obrigando os bancos a aceitarem carteiras de créditos justos por meio do Community Reinvestment Act, e obrigando as instituições híbridas (entre públicas e privadas) de refinanciamento de hipotecas, Fannie Mae e Freddie Mac, a garantir preços de hipotecas cada vez mais arriscados (com objetivos muito precisos do Housing and Urban Development Department de beneficiar famílias modestas). E membros do Congresso ainda faziam pressão, no início do ano, para que as margens cautelosas de Fannie e Freddie fossem diminuídas!
A crise atual, portanto, tem sua origem, em primeiro lugar, na dopagem da economia pela política, dopagem que repousa em “falsos direitos” (direito a dinheiro gratuito, direito a crédito), que só podem levar à desordem social, como explicou muito bem o economista Jacques Rueff. A “refundação do capitalismo” passará, assim, primeiro por sua despolitização e pela restauração da responsabilidade em seu seio. Será preciso também interromper a crise de má fé das esferas políticas.
*Emmanuel Martin é doutor em Ciências Econômicas e editor do site Unmondelibre.org .
*Lembre-se do vídeo-comentário.
03 outubro 2008
Braços erguidos sob a chuva de confetes
Entre o pulso, as portas e o teto, jovens sintonizam-se em torno da novidade que surge. Urge a notícia em forma de sons (não tão distantes) que se fazem ouvir. Broncas, brigas, balas. Isso já não seria nada. Desta vez estão eles, de fato, num foco fatal.
A lição do dia começou pontualmente e com transdisciplinaridade. Química, biologia, física. Geografia, história, matemática. E tudo mais que se deve ter num colégio. Com tiros na nuca, no queixo e na barriga pôde-se ver evaporar a vida no banheiro da escola. E aproveitaram com presteza a ocasião. Cerca de 220 alunos puderam calcular e discutir a velocidade do projétil, os efeitos da cápsula adentrando as vísceras. A localização do corpo, a história das armas de fogo, o número de tiros.
Foi concretizado um verdadeiro pulo na qualidade do ensino. Uma conquista imensa, que não poderia passar batido. Rapidamente providenciaram os quitutes. A festa seria intensa. O sol resolveu espiar e se esticou todo pela esquina do globo, olhando atentamente a fuzarca e conferindo um tom todo especial de beleza.
Os moradores da redondeza, faça-se justiça, também trataram de contribuir. Saltaram todos de suas jaulas com papéis cirurgicamente picados. Estava completo o cenário: braços triunfantemente erguidos protagonizando o espetáculo da chuva de confetes na retirada do corpo.

Foto: Maurício Ferry, Folha de Pernambuco
Segundo o projeto PEbodyCount, Oscalton Holanda, ex-presidiário e envolvido com drogas, foi a 3287ª vítima fatal da violência pernambucana em 2008.
Notícias a respeito do caso:
http://www.diariodepernambuco.com.br/2008/10/02/urbana4_0.asp
http://www.folhape.com.br/folhape/materia.asp?data_edicao=02/10/2008&mat=114534
http://www.pebodycount.com.br/post/comentarios.php?post=949#ancora
26 setembro 2008
O SHOW DE UM POPSTAR - Comentários acerca da solenidade de abertura da EXPO-UFPE
De início, além de agraciados com a pontualidade (que já conhecemos bem) do reitor Amaro Lins, houve a distribuição de um material associado à Secretária de Cultura de Pernambuco. É que teríamos ali as palavras de Ariano Suassuna, atual secretário de estado, escritor e popstar. Acompanhando-o, o professor Carlos Newton Jr e Oliveira de Panelas (cidade do meu pai, por sinal), repentista.
Não vou falar da palestra em si, mas de algumas reflexões que ela me trouxe. Destaque ao material que foi distribuído à platéia: algumas folhas com os créditos da aula-espetáculo, outras com muito espaço e poucas informações sobre ações do governo. Investimento cultural por aqui deve mesmo ser algo bastante intenso: afinal, temos dinheiro até pra gastos supérfluos com papel. Ou talvez eu não tenha entendido uma ação de inclusão social – os míopes, colegas, não poderiam ler os créditos se tivessem sido colocados lá, longe, no datashow que foi usado no teatro; ou os surdos, quem sabe, não teriam ouvido a propaganda governamental feita no microfone por uma assessora de Ariano, momentos antes de ele vir ao palco.
É uma pena que esses instantes conturbados de terceiranista não me tenham permitido fazer algumas pesquisas pra incrementar este texto. Vou adaptar as informações que faltam a perguntas.
Quem financia um evento promovido por uma universidade pública? Quem financia as ações da secretaria de cultura do estado? Em que contexto o secretário de cultura proferiu a palestra?
Talvez soem perguntas ao extremo exageradas. Não são. Precisamos, cidadãos, lembrar a todo instante o que significa um governo, uma organização pública. O que significa um gasto público? O que significa haver secretaria de cultura num governo? Cabe ao governo gerir a cultura?
Sigamos. Durante a palestra, um momento intrigante. Ariano explode suas convicções político-partidárias e louva Lula como o único brasileiro capaz de conduzir o país pelo caminho necessário, como o maior símbolo da sociedade brasileira. Isso num evento totalmente público, provavelmente com dinheiro estadual e federal, diante de um púbico adolescente que em sua maioria, mesmo sem saber muito bem de quem se trata, venera Suassuna. Normal?
Não, não é. Independentemente de concordar ou não com a posição do pai de João Grilo (e eu discordo veementemente, que fique claro), o fato é que não se pode usar do aparelho do Estado para se falar de um governante. Não se trata de censura. Ele poderia falar o que quisesse milhões de vezes num jornal, num livro ou no meio da rua. Em evento do estado não. Porque não pagamos para que se promova A ou B. Não é esta a função do Estado, não é esta a função da Universidade.
E também não é função das platéias aplaudir a tudo e todos, como se viu aquele dia. Ainda bem (por um lado; e muito infelizmente por outro) que, pelo que pude perceber, os alunos do CAp destoaram dos outros: enquanto, ao fim do ato, todos, efusivos, festejaram de pé, os CApianos permaneceram sentados em suas poltronas. Parece que nosso povo não sabe o que podem significar os gestos que fazem.
Fiscalizar tudo isso é nossa função. A sociedade precisa ser mais articulada e atuante. “O governo não resolve os problemas, o governo é o próprio problema”. É preciso estar atento. E sempre pensar na primeira pessoa do plural.
Texto originalmente escrito para publicação no CAp&Tal, jornal produzido pelo Grêmio do colégio e que circula pela comunidade CAp.
13 fevereiro 2008
Aumenta cerco ao fumo no Recife
Na verdade, deveriam estar desde 1996, quando da aprovação da lei federal 9.294, que “proíbe uso ou propaganda de derivados do tabaco em recinto coletivo, privado ou público”. A diferença é que agora 60 funcionários da Vigilância Sanitária (órgão atrelado à Prefeitura do Recife) fiscalizarão os estabelecimentos, que terão placas anti-fumo informando seus clientes. Também não serão permitidas as atuais áreas exclusivas a fumantes.
Com a medida, aumentarão o número de ambientes livres do fumo no Recife, atualmente contabilizados em 372 (segundo o Jornal do Commércio), entre shoppings, escolas e unidades de saúde. A ação visa beneficiar a qualidade de vida dos funcionários e usuários das repartições.
O cerco ao fumo é uma tendência mundial, com expoente na França, onde teve fim a famosa fumaceira dos cafés parisienses. Em resultado parcial de enquete no site do JC, 85% das 652 respostas eram favoráveis a proibição, contra 13% de descontentes. O restante declarou não ter opinião formada a respeito. Para Fábio André Farias [in DP], procurador que participará das fiscalizações, 82% da população do Recife é de não-fumantes.
Pessoalmente, ainda acho as proibições frouxas. Nesse aspecto faço jus ao título do blog, sou bem xiita mesmo: defendo a censura a todo tipo de fumo em lugares públicos. Argumento a partir do direito maior à vida, garantido na constituição brasileira. O cigarro, com seus infinitos males conhecidos, fere o direito de todos que são obrigados a fumar passivamente pelas ruas através das baforadas alheias.
Quer se matar? Não me leve junto. E você, é cúmplice de suicídio?
18 novembro 2007
Tumulto no concurso do Aplicação
Como de praxe, a prova foi aplicada em 3 prédios (o do próprio CAp, onde estava; Centro de Educação, CE; e Centro de Filosofia e Ciências Humanas, CFCH;) da Universidade Federal de Pernambuco. Tudo corria dentro da normalidade, até que os concursandos começaram a ser liberados no CFCH e, logicamente, mantidos no hall interno da edificação até que seus responsáveis os pegassem. Os pais, desordenadamente aglomerados em frente ao portão do edifício, agitaram-se com a saída dos primeiros candidatos. Alguns tentaram invadir o prédio e, para isso, passaram pelo cordão de isolamento do portão. Foi o início de um tumulto generalizado.
A grande maioria dos alunos colaboradores (eu, inclusive) foi deslocada ao CFCH. A polícia foi chamada para conter os ânimos. A organização do concurso decidiu manter as crianças no prédio, a fim de preservá-las da confusão. Alguns pais revoltaram-se ainda mais, ampliando os problemas e alegando desorganização por parte do Colégio.
Passado o horário limite para conclusão da prova, foi organizada uma fila (permeada de incivilidade) e os pais puderam, lentamente, entrar no prédio e buscar seus filhos, que haviam sido devolvidos às salas onde prestaram o exame.
16 novembro 2007
Chávez desenvolverá energia nuclear
Verbalmente, o inimigo número 1 de Chávez é o EUA. Militarmente, ele não teria assim tanta coragem. Lembro que nos seus planos de expansão do bolivarianismo pela América do Sul, o Brasil é o país mais resistente. Nós, a quem ele já chamou de "imperialistas", podemos ser vistos (se é que já não somos) como inimigos quando Lula, o amigão bunda mole, deixar o poder.
Chávez corriqueiramente nos ataca. Lula acha bonito e o elogia. O Brasil não deveria assistir passivamente a tudo isso. Defendo o isolamento econômico da Venezuela. Não podemos compactuar com ditaduras - ainda mais com esta, que nos ameaça.
14 novembro 2007
Mostra de caráter
Tecer mais comentários sobre a imagem e suas aspirações neste post seria duvidar da inteligência e distinção moral dos leitores. Paro aqui, então.
21 outubro 2007
Lula "esquece" campanha e privatiza rodovia
Com esta medida, Lula contradiz seu principal mote nos debates eleitorais, quando acusou Geraldo Alckmin e todo o PSDB de privatista. Não quero entrar no mérito das privatizações, que, penso, ao contrário da maioria dos brasileiros, não ser ruim em si. O que chama atenção é o desrespeito do presidente a sua própria palavra e eleitores. Na verdade, isso em nada surpreende. Afinal, estamos falando do mesmo cidadão que afirma que principismo você faz no partido, quando pensa que não vai ganhar as eleições nunca.
É este o Brasil. Um país que não é nação, onde o líder maior, aquele em que ninguém é capaz de dar lição de moral, faz da vida bravatas e a todos incentiva que o sigam. O bastião da cultura e educação, que não lê, porque é chato, cansativo e tem amigos que fazem isso por ele.
É esta a moral do país. Digo, descumpro, contradigo, autovanglorio-me e sou festejado.
Lula. A farsa que nunca se viu na história deste país. E até ele concorda comigo.
08 outubro 2007
Comentários a respeito do PE Music Festival
Foi divulgada abertura dos portões às 21h. Ao chegar por volta das 22h, quando já rolava apresentação da banda pernambucana Del Rey, cover de Roberto Carlos liderada pelo frenético vocalista China, encontrei a entrada empedida.
Algumas pessoas já curtiam o show. Aos que esperavam ao relento, nenhuma satisfação foi dada, o que provocou ensaios de tumulto por parte dos excluídos. A boataria aponta que uma queda de energia nos refletores que abasteciam a Fábrica foi o motivo do mal estar.
Não podemos esquecer destes inconvenientes "detalhes", mesmo tendo sido a noite bastante divertida. Até quando brasileiros tratarão seus próprios clientes brasileiros, humanos e consumidores, como gado, pior do que a forma com que suas madames interagem com seus cães e gatos? Cabe a nós começar a mudança, pelas atitudes e pelas cobranças.
Vamos às apresentações. Nação Zumbi foi a segunda banda a entrar no palco, momentos após o show de Del Rey. Tocou seu repertório esperado, com uma música do novo disco, que será lançado este mês. A dobradinha com Paralamas foi bem feita - fizeram as músicas de protesto, como O Calibre, Selvagem e Polícia.
Agora concretizo o objetivo deste post: Herbert Vianna entrou especialmente trajado. Com terno e gravata, sobre sua cadeira de rodas também portava óculos escuros e uma touca. Para mim, está aí uma crítica sutil. Herbert não teceu nenhum comentário a respeito disso durante o show.
Justamente durante o governo que por anos eles tanto defenderam como caminho adequado ("Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou...", "caboclo presidente trazendo a solução..."), estamos em tempos de sucessivos escândalos envolvendo políticos, aqueles homens eternamente engravatados.
Temos também o lançamento de um polêmico filme. Tropa de Elite (que ainda não assisti) fala sobre os bastidores da polícia e o tratamento do crime. Fala sobre homens que portam óculos escuros e touca preta na cabeça.
Herbert junta os elementos visuais enquanto toca músicas de protesto. Pode não ter sido proposital, mas acredito no potencial artístico e na não ingenuidade do lider dos Paralamas. Só pra constar: quando começaram as letras românticas, o traje foi desfeito.
Para não dizer que ignorei o show de O Rappa: por que esta necessidade de falar palavrão como se fosse a única forma de ser entendido e dar ênfase ao que se diz? E tudo enrustido num tom messiânico que me faz pensar em plágio de Bono Vox...
[Saudações - e peço desculpas pelo atraso do post. A enquete parece que não fez muito sucesso, mas vou mantê-la, ao menos por enquanto.]
