14 setembro 2010
Sobre debates
17 novembro 2009
Na qualidade, o futuro do jornalismo
Negras nuvens cercam o céu do jornalismo. Todos que lidam com a área, sejam os próprios jornalistas ou demais estudiosos do assunto, estão cansados de saber o atual panorama de crise dos veículos da mídia impressa, um cenário de fechamento de jornais tradicionais e demissão de profissionais. O advento de novas tecnologias, estampadas, sobretudo, pela internet, chamou atenção à necessidade de reflexão sobre o jornalismo e a identidade de suas expressões em cada um dos meios. É fato que cada suporte possui características diferentes, que exigem um trabalho jornalístico adequado a estas minúcias.
Em sua expressão mais tradicional, a impressa, antigas demandas do jornalismo se apresentam renovadas. Num tempo em que a velocidade das informações é vista como o maior dos trunfos, o papel se mostra obsoleto e impotente no trato com as formas digitais, como rádio, televisão e internet. Sendo assim é questão de sobrevivência modificar a lógica da notícia em folhas. É neste contexto que surge com força o pleito pela intensificação da análise, do aprofundamento – uma vocação natural da forma escrita.Estudos demonstram que o público em geral não consegue atingir grandes níveis de concentração quando assistem TV, escutam rádio ou navegam pela grande rede. Na TV e no rádio as falas não voltam, argumentos se perdem e uma análise mais elaborada exigiria um público mais atento. Na Web, o hábito dos leitores ainda é de dispersão maravilhada frente às grandes possibilidades de escolha. Isso não significa que não exista, por parte da sociedade, uma demanda por uma abordagem crítica das notícias e contextualizações mais rebuscadas. Pelo contrário: em um mundo cada vez mais complexo, é cada vez mais imperativo tentar explicá-lo.
Com cada setor da mídia possuindo uma função bem estabelecida, o desejo de uma cobertura global, completa, provoca naturalmente a intensificação da convergência de mídias, um dos pilares do novo jornalismo que se desenha no horizonte.
Neste conjunto, a identidade do jornalismo impresso parece seguir com força um caminho: a qualidade da informação. Para ser capaz de concorrer com veículos mais rápidos e de acessibilidade mais barata, é preciso investir fortemente em qualidade. Apuração rica, investigação criteriosa, reflexão detalhada. Matérias especiais, frutos de longos trabalhos. Um conteúdo denso, consistente. A fuga do lugar comum das reproduções de materiais de agencias de notícias. O fim da matéria pasteurizada. Este é o maior desafio dos jornais e, certamente, exigirá muito dos jornalistas, praticamente os obrigando a ter uma formação continuada e uma inquietação intelectual eterna.
Mesmo vencendo o maior desafio, que é o da qualidade, o futuro do jornalismo não estaria assegurado. É comum ouvir que vivemos na era da imagem. Assim sendo, seria irresponsável negligenciar o tratamento estético dos veículos. Um trabalho gráfico competente auxilia o jornalismo em sua missão informativa e, se por si só, não garante que aja qualidade, ajuda, ao menos, a garantir a atração de público. E só existe jornalismo se existir quem leia.
Ainda neste sentido, o tratamento do texto é outro fator a suscitar atenção. É preciso investir numa redação mais atrativa, capaz de ajudar a cativar o leitor.
Expostas as idéias referentes a método e forma na rotina jornalística, resta ainda a questão substancial: sobre o que falar. Nunca é demais lembrar a necessidade de responder ao interesse público. Mas não se pode abraçar o mundo. É preciso, então, conhecer o nicho de público correspondente a cada veículo. Somente assim é possível compreender realmente as aspirações e necessidades de informação que o jornalista deve solver.
A qualidade no método, na forma e na substância, em direção ao interesse público. Este é o sol a dirimir as nuvens negras.
20 maio 2009
Mídia: a mediação social
Em primeiro lugar, é salutar termos em mente que a mídia abarca ramos diversos da comunicação. Imprensa, publicidade, trabalhos artísticos são expressões que compõe esse universo. Mas o que estes meios mantêm em comum? Exatamente: eles são, acima de tudo, meios, veículos. Ou seja, atuam como mediadores sociais. É justamente a partir da mídia que a sociedade se comunica, em diferentes níveis, o que permite abordagens de um público extremamente abrangente e torna relevante esta esfera social.
Neste processo comunicativo, merece atenção especial um fator substantivo. Qual a influencia dos sujeitos que constroem a mídia? É inegável que os rumos do pensamento e debate públicos são decisivamente influenciados pela pauta midiática. Assim sendo, a responsabilidade dos veículos de comunicação é algo de estratosférico, pois assume potencialidade para induzir mudanças e questionamentos profundos na sociedade e na história que se trilha.
Como encarar esse encargo? O operador midiático deve funcionar como um filtro, absorvendo as principais demandas sociais e as reverberando na melhor direção possível (algo difícil de pesar). São, portanto, necessidades evidentes a quem se aventurar nesta missão ter um rigoroso preparo intelectual e uma acurada sensibilidade ética. Infelizmente, não parece que estas diretrizes estejam sendo devidamente consideradas na atualidade.
O diagnóstico desta realidade comumente culpa a necessidade das empresas do setor de atender aos interesses comerciais. Interesse comercial significa lucro, que advém das vendas - da atração da atenção do público. É óbvio que atrair o público não pode ser encarado como um problema, já que toda persuasão, inclusive para guinadas éticas da sociedade, depende deste fator. Sendo assim, o grande desafio da mídia não é ser imune a objetivos comerciais, mas aliá-los aos objetivos éticos: atrair o público induzindo mudanças sociais positivas.
14 março 2009
Considerações sobre uma aula
Tomou-se como exemplo desta tese a proliferação de alguns elementos da sociedade norte-americana pelo mundo: o imperialismo opressor da coca-cola e da calça jeans num país tropical ou a disseminação do cinema hollywoodiano pelo mundo.
O argumento dizia ainda que a incorporação destes costumes na rotina de povos outros, como o brasileiro, era sinal do sufocamento cultural, uma espécie de ameaça à nossa brasilidade. Também falou-se da nossa ignorância sobre países sem tanta penetração na mídia, como Cabo Verde. Em resumo: todo aquele discurso vermelho que há um tempo atrás fechava com ‘Abaixo a Alca e ao FMI’. Um discurso anacrônico.
Uma boa intervenção mudou um pouco o tom da conversa: a colega Flávia Braga lembrou-nos da idéia de antropofagia cultural, do bom intercâmbio entre os povos. Ou seja, que devemos defender o aproveitamento do que é positivo e ignorar o que não tem valor. Eu sigo por essa linha e vou um pouco mais a fundo.
Todo o mundo come pizza e isso não é sinal de imperialismo italiano. Há restaurantes chineses nos quatro cantos do ocidente e não há imperialismo chinês. Americanos usam havaianas e escutam bossa nova: não, o Brasil não está dominando o mundo.
Esses fenômenos nada mais são que um processo natural intrínseco à globalização. São resultado de questões econômicas. O que faz mais sentido, pensar que os donos da Mc Donalds, em associação com a indústria farmacêutica, pensavam em dominar os hábitos alimentares mundiais com uma dieta nada saudável ou que eles simplesmente queriam ganhar dinheiro e ampliaram seus empreendimentos para outros mercados?
Creio que a resposta é inequívoca. Daí, pra inferir o motivo da supremacia americana é fácil. Qual o maior centro econômico? Onde há mais capacidade de grandes investimentos? Qual a economia com maior penetração na maioria dos outros países?
Com todo respeito, Cabo Verde é que não é.
No lugar de caçar inimigos imaginários, acho mais produtivo desenvolver o Brasil – mas é sempre mais confortável culpar os outros de nossas desgraças.
Um último adendo
Não estou dizendo com isso que devemos ignorar a carga histórica ou esquecer dos antepassados. Pelo contrário, devemos ter consciência de nossa sociedade, do meio no qual nos inserimos – e isso tem óbvia ligação com o passado de nosso povo. Falo apenas que devemos ser supremos na escolha do que faremos.
A cultura é sempre modificável, aperfeiçoável. O que também, evidentemente, não significa que toda mudança é boa. Devemos questionar permanentemente nossa sociedade, sem medo. E sem o fanatismo cego acrítico de achar que tudo está perfeito ou que tudo está errado.
13 novembro 2008
Sobre a crise econômica
A crise de (má) fé
A fé no mercado desapareceu: a crise atual é a crise do capitalismo, do liberalismo e do laissez-faire. Esse é um fato firmemente estabelecido para a maior parte dos intelectuais, da mídia e dos políticos. Denunciam-se os mercados e os especuladores, esquecendo-se um pouco depressa de que a responsabilidade pela crise talvez se encontre também – e, sem dúvida, principalmente – no lado político. Uma pequena omissão, portanto. Ou um ato de má fé e de propaganda, por meio do qual se introduzem medidas que vão aumentar ainda mais o poder dos políticos – que não havia milagrosamente desaparecido, longe disso. A última semana foi assim, repleta de declarações de má fé.
O ex-primeiro ministro francês Michel Rocard, entrevistado por Le Temps na Suíça, confessou calmamente que era uma pena que o economista Milton Friedman, prêmio Nobel de 1976, já tivesse morrido, porque teria sido possível arrastá-lo perante o Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade (isto é, por ter defendido o liberalismo). Perdoemos o Sr. Rocard por este ato de bravura intelectual (seu “acusado” teria dificuldade de lhe responder), mas lembremos a ele que Friedman é o pai da regra monetária do crescimento do estoque de moeda de acordo com o do produto, que, se respeitada, teria evitado essa crise...
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, por sua vez, preconizou um “retorno da política”, porque “a ideologia da ditadura dos mercados e da fraqueza pública morreu”. O grande democrata Hugo Chávez, aliás, não demorou a saudar o “camarada Sarkozy”. É um sinal. Em seu grande discurso anterior, há um mês, o presidente que “queria dizer a verdade completa aos franceses” só lhes havia dito, de fato, a metade. Escondendo as responsabilidades públicas por essa crise, o presidente francês colocou seu país em uma via perigosa. O presidente, que diziam ser liberal há apenas alguns meses, deve ter mudado de fé, por força do pragmatismo.
Mas a maior surpresa vem, sem dúvida, da “angústia” do ex-presidente do Federal Reserve, no comando da política monetária da principal potência mundial. Sua fé no mercado também deve ter sofrido um duro golpe. Quando lhe perguntaram sobre sua responsabilidade pela crise, ele se disse surpreso de que os agentes do mercado não tivessem se comportado bem diante de sua política monetária explicitamente frouxa! O Sr. Greenspan havia visivelmente se esquecido de que sua política monetária podia alterar os incentivos aos agentes...
Perante o que parece fortemente má fé propagandística, é urgente que as pessoas informem-se sobre a verdadeira origem dessa crise. É claro que os agentes das finanças agiram de maneira irresponsável. Ninguém contesta isso. Os riscos foram subestimados. A questão é saber onde está a origem dessa irresponsabilidade. Pelo menos duas respostas são encontradas.
- A política monetária americana de dinheiro gratuito (com taxas de juros reais negativas) entre 2002 e 2005 para “estimular” a economia, o anúncio do Fed de que, em caso de bolha financeira, ele garantiria a quebra (compreenda: “lucros privados, perdas socializadas!”), e depois o súbito e importante aumento dos juros (sufocando os tomadores de empréstimos a taxas variáveis). O Fed tornou-se um criador de bolhas!
- A política social americana consistente em permitir a famílias modestas ter acesso à casa própria, obrigando os bancos a aceitarem carteiras de créditos justos por meio do Community Reinvestment Act, e obrigando as instituições híbridas (entre públicas e privadas) de refinanciamento de hipotecas, Fannie Mae e Freddie Mac, a garantir preços de hipotecas cada vez mais arriscados (com objetivos muito precisos do Housing and Urban Development Department de beneficiar famílias modestas). E membros do Congresso ainda faziam pressão, no início do ano, para que as margens cautelosas de Fannie e Freddie fossem diminuídas!
A crise atual, portanto, tem sua origem, em primeiro lugar, na dopagem da economia pela política, dopagem que repousa em “falsos direitos” (direito a dinheiro gratuito, direito a crédito), que só podem levar à desordem social, como explicou muito bem o economista Jacques Rueff. A “refundação do capitalismo” passará, assim, primeiro por sua despolitização e pela restauração da responsabilidade em seu seio. Será preciso também interromper a crise de má fé das esferas políticas.
*Emmanuel Martin é doutor em Ciências Econômicas e editor do site Unmondelibre.org .
*Lembre-se do vídeo-comentário.
03 fevereiro 2008
Gosto x qualidade
Gostamos ou não das coisas a partir de critérios estritamente pessoais, geralmente de ordem emocional, nem sempre ligados a racionalidade. Gostar é animalesco, instintivo. E, fique claro, não há nada de mal nisso. Pelo contrário: acredito ser fundamental a condição humana o desenvolvimento de tais afinidades.
O perigo está quando nos deixamos confundir e consideramos um gosto específico como a expressão da verdade. É quando atribuímos valor qualitativo somente a partir da impressão que nos é causada, caindo em pensamento falacioso. Está formada uma confusão entre emoção e razão.
Só a partir da reflexão podemos atribuir qualidade, executar julgamentos. É preciso, então, definir critérios e, obviamente, analisá-los racionalmente. Neste sentido, em oposição ao gosto, a qualidade não é instintiva ou animalesca, mas cultural. Qualidade e gosto podem, evidentemente, coincidir: é possível gostar do que é bom.
Talvez pareça tolice me usar de um texto para fazer distinções tão óbvias. Não é. Exemplifico: é rotineiro as pessoas considerarem boas as músicas que gostam e ruins aquelas que não lhe agradam. Trata-se de um tremendo egocentrismo, além de arrogância (ou não é arrogância achar que tudo que gosto é bom?). Podemos discutir o que é música boa, mas somente a partir de critérios musicais - ou não estaríamos discutindo a qualidade da música, mas talvez, sei lá, a emoção que ela desperta em você. (És daqueles que acha que a qualidade da música está somente na emoção que ela desperta? Então tento elucidar mais a questão: Kelle Key tem fãs – e não devem ser poucos)
Apesar de me dar nos nervos discussões pseudo-artísticas pautadas na irracionalidade, não é essa minha maior preocupação e motivação para este texto. A situação fica complicada quando passamos esta pequenez mental a outras áreas, mais notadamente a política. Ou devemos sair votando em quem simplesmente simpatizamos?
Manoel Paulo Ferreira
26 maio 2007
O Manifesto das Chamas
Esvai-se do corpo em chamas a essência de algo que foi, outrora, mais que cinzas. A fuligem, prova do irreversível, paira no ar. E nos privamos da harmonia entre o corpo, a mente e a alma. Sem forma, com um fim. Chamas! Somos a essência de algo maior que está morrendo. O Colégio de Aplicação. No entanto, das cinzas, podemos renascer - como a fênix, viva e bela.
Vivemos, hoje, em um lugar em que as identidades parecem estar perdidas, em que cada vez mais nos fechamos em mundos particulares, em constante busca. Mas em busca de quê? De objetivos que no fundo não são nossos? De metas que tão logo alcançadas nos mostram que eram o que não queríamos? Temos deixado nossa identidade escorrer entre os dedos. Esta instituição que fora conhecida como um local de experimentação e aplicação de práticas inovadoras de ensino, hoje se resume a uma instituição em que os alunos não mais produzem, apenas reproduzem. Como dizem os próprios professores, a experimentação implica necessariamente atividade, realização, criatividade, busca do novo, investigação, comunicação. Infelizmente, estamos sendo contaminados por uma praga batizada vestibular, que diminui todo o processo de educação e resume anos de vida, paixão, construção e estudo em única prova, posteriormente traduzida em mero número. Número que, sem razão, tem atormentado e ridicularizado nossos estimados estudantes, enchendo de orgulho parte dos docentes e maioria dos pais, que estufam o peito enquanto, sem perceber, estragam o “radioso horizonte que se abriu” em 1958. O vestibular é a nossa verdadeira meta, ou somente a absorção de um vírus social?
Nós, alunos, temos, cada vez mais, perdido a confiança no CAp - o que é preocupante. A maioria dentre os que possuem as devidas condições financeiras corre aos cursos preparatórios pré-vestibulares. Os alunos nunca precisaram se preocupar com isso. Há formação diferenciada, que visa à vida. Além das exigências nacionais da educação científica tradicional, recebemos aulas de artes plásticas, música, filosofia, orientação educacional, dança. Devemos saber utilizar variadas formas de expressão, ter senso crítico apurado, fazer interferências ao meio, criar hipóteses, compreender o mundo. No entanto, até os nossos mestres incentivam e abertamente aconselham a procura dos ditos cursos de formação de robôs, papagaios que simplesmente espelham o que lhes é incutido, meros armazenadores de informações. Algo de muito errado acontece. Até os professores não confiam no colégio. Perdemos a confiança em nós mesmo, já que somos nós e eles que fazemos o colégio. Essa descrença e a imobilidade instaladas destroem a escola, lugar onde as relações podem se efetivar. Os valores mudam, e com isso a sociedade muda; entretanto, a necessidade das relações humanas se mantém. Atualmente, nos preocupamos mais com as metas que com as coisas certas. Certas por serem as importantes. Conhecimento simplesmente por si só, para que existir? O Conhecimento é a troca de informações, é a relação homem-homem, mulher-mulher, homem-mulher, mulher-homem. Entender que a vida é feita de mortes, que a cada fim há um surgimento, e que vivemos finalizando e começando em um ciclo que enriquece cada vez mais o ser é uma forma de compreender o mundo - e compreender se faz através da experiência. O que é o Mundo se não as relações?
Eventos fundamentais na estratégia pedagógica e para o engrandecimento do ser em formação, como a Feira de Conhecimento, o Festival de Artes e a Socialização das PD’s, estão cada vez mais esvaziados, desprestigiados e não recebem o incentivo que deveriam. Falha grave. “Mas quem tem saco pra ficar mais do que o tempo necessário na escola? Têm-se mais o que fazer, não é verdade?” Fico pensando quantas pessoas têm o seu melhor amigo nesse ambiente. E lembro-me de uma denominação dada há muito tempo à escola: nossa segunda casa. Mas, da forma que cuidamos e valorizamos esse espaço, acho que não podemos mais dizer isso. É visível e espiritualmente sentido nos corredores e quiosques que a arte, predominante em tempos outros, está ausente. O ar de reflexão sempre respirado se esvai. O sentimento familiar, de prazer com a presença no CAp, foi deixado para trás. Alunos não mais esticam a jornada como antes. Professores e funcionários chegam pensando em sair. Todos sentem estafa ao discutir o colégio em suas reuniões gerais e de área. Decisões caminham vagarosamente, rastejando-se. Mas nesse momento precisamos levantar, sacudir a poeira e correr contra a devoração dos ideais que refletem uma paixão, construtora da nova geração.
Envolvimento é o que nos falta. Querer mudar. A sociedade pós-moderna, a nossa sociedade, vive um processo de crescente individualização do ser, em detrimento do espírito de coletividade. Estáticos, assistimos à uniformização de atitudes e intensificação do egoísmo e hipocrisia. As pessoas não assumem suas funções e responsabilidades, tudo é culpa do outro. Outro. O Outro ainda nos importa? Não. Auto-suficientes, dentro de nossas neuroses, vivemos para nós mesmos. Se for para algo acontecer esperamos que os outros façam. A lei do menor esforço impera. Perceber que a Coisa está ruim e criticar que ninguém faz nada pra melhorar, esperando que os outros a melhorem é o mais puro cinismo. Se estiver errado, tente consertar. O Mundo são as relações, não nos fecharmos e preservarmos o que é nosso é fundamental, pois ninguém fará isso por nós.
O Colégio de Aplicação vem destruindo sua identidade. A mente não funciona corretamente. Estamos perdendo nossa alma. O vazio toma conta de nosso corpo, o espetáculo da desvalorização da essência, uma força maior que o vigor da respiração do nosso espírito. O vácuo começa a retrair nossa carcaça, que se choca e esmaga. Esse atrito acende faíscas, o fogo toma conta do CAp. Nossa mente precisa reagir, antes que a destruição seja inevitável. Acreditar que podemos mudar é um passo, pois somos nós que fazemos as coisas serem o que são. Estamos perdidos e muitos não enxergam (ou não admitem), reproduzem-se os erros e cada vez mais nos perdemos. As nossas buscas deveriam se tornar uma. A busca pela preservação do que é bom, pela preservação da nossa essência. Pela nossa integridade como ser. Somos as chamas, pedimos socorro.

07 janeiro 2007
O medo: medieval x atual
A alta religiosidade provocada pela dominação da Igreja aterrorizava os fiés nas possibilidades do amanhã. A morte era vista como um rito de passagem para a eternidade, sendo um tema presente no cotidiano. O juízo final, a punição do além e os suplícios do inferno temorizavam os homens e controlavam suas ações.
Atualmente, o materialismo está impregnado na sociedade de forma tal que o medo de quem algo possui é perder seus pertences, vitimizando-se das consquências da violência.
Escondidos atrás de suas cercas elétricas e portas blindadas, os ricos privam-se da vida numa fantasia pequena onde ignoram a realidade miserável da maioria da população.
Os pobres, por sua vez, são obrigados a conviver com o crime desde crianças, sem acesso à boa educação e potencializando a continuidade desta situação terrível - onde muitos tem pouquíssimo e pouquíssimos tem muito.
Assim, o grande medo de nosso tempo é o da violência, mesmo que de formas diferentes (e com algumas semelhanças) de acordo com a condição social de cada um.