Mariana, mar de amor,
lembras o que é
felicidade?
É ser um grão de areia
sob o abraço da espuma
- espuma que tu lanças,
de carícias, sobre a praia.
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12 junho 2011
19 março 2011
felicidade nº 1
Quando o sol
no céu
lança seus raios
um arrebol
arma nos lábios
uma rede
- que sob a luz
de luas gêmeas
resplandece
no céu
lança seus raios
um arrebol
arma nos lábios
uma rede
- que sob a luz
de luas gêmeas
resplandece
28 novembro 2010
No mar
os anos
passeiam
sem vagar
No lar
os panos
aquecem
sem suar
No estar
humanos
assentam
sinversar
Nos olhos
o amor
repousa
pra pulsar
28 fevereiro 2010
Lar
No alto do mar os (pl)anos
Passageiros de um barco solitário
Aos dedos de lança debatem
O itinerário do destino
Do consenso surge o lar
Desfecho da melhor viagem
Que no frio de opacas horas
Nos aquece a desvairagem
O lar é um afeto
Que acalenta sem temor
São dois olhos onde o amor
Para pulsar, repousa.
A Mariana Felinto, meu mar, meu lar, meu caminho ao horizonte.
Passageiros de um barco solitário
Aos dedos de lança debatem
O itinerário do destino
Do consenso surge o lar
Desfecho da melhor viagem
Que no frio de opacas horas
Nos aquece a desvairagem
O lar é um afeto
Que acalenta sem temor
São dois olhos onde o amor
Para pulsar, repousa.
A Mariana Felinto, meu mar, meu lar, meu caminho ao horizonte.
12 janeiro 2010
Saudade
gota que segue gota
é tempo pausando a mente
gota que segue gota
um tango em ritmo ardente
gota que segue gota
e desgosta - galo dormente
gota que segue gota
um gesto que pinga ausente
gota que segue gota
e esgota da calma o parente
é tempo pausando a mente
gota que segue gota
um tango em ritmo ardente
gota que segue gota
e desgosta - galo dormente
gota que segue gota
um gesto que pinga ausente
gota que segue gota
e esgota da calma o parente
27 setembro 2009
Junte num gesto
Junte num gesto o desejo todo
Limitando em um canto um só sentido
Assente por um sopro a silhueta
Na expressão de um olhar tão refletido
o que nascido para ser cantado
não devemos pôr em molde de segredo
Junte num gesto o sabor que sentes
Limitando ao volume que quiseres a volúpia
Assente um sorriso se consentes o futuro
Na sombra do meu sonho ao pôr-do-sol
o que nascido para ser cantado
não devemos pôr em molde de segredo
Limitando em um canto um só sentido
Assente por um sopro a silhueta
Na expressão de um olhar tão refletido
o que nascido para ser cantado
não devemos pôr em molde de segredo
Junte num gesto o sabor que sentes
Limitando ao volume que quiseres a volúpia
Assente um sorriso se consentes o futuro
Na sombra do meu sonho ao pôr-do-sol
o que nascido para ser cantado
não devemos pôr em molde de segredo
24 julho 2009
lembranças são cartas
as lembranças vêm, são cartas
do tempo em que se usavam
se ousavam comumente
para onde, sonolenta, a ousadia se recolhe
querendo sempre que alguém a colha.
as lembranças vão, são cartas
da não escrita já sem força de uma mão
em forma que reside na vontade em vocação
para onde, sonhadoras, gostariam de voltar
e percorrem apenas os velhos vasos de uma pena renitente.
as lembranças vãs são cartas
que mesmo num sono intenso
dos sonhos mais não pousam
porque a dor amassa
cada linha da pele encardida.
as lembranças vis são cartas
a pedir ao tempo que enfim velozmente parta
com desejo retirante de viagem derradeira
viagem carregada na essência de madeira
traduzida na armadura de veias, o envelope.
do tempo em que se usavam
se ousavam comumente
para onde, sonolenta, a ousadia se recolhe
querendo sempre que alguém a colha.
as lembranças vão, são cartas
da não escrita já sem força de uma mão
em forma que reside na vontade em vocação
para onde, sonhadoras, gostariam de voltar
e percorrem apenas os velhos vasos de uma pena renitente.
as lembranças vãs são cartas
que mesmo num sono intenso
dos sonhos mais não pousam
porque a dor amassa
cada linha da pele encardida.
as lembranças vis são cartas
a pedir ao tempo que enfim velozmente parta
com desejo retirante de viagem derradeira
viagem carregada na essência de madeira
traduzida na armadura de veias, o envelope.
06 fevereiro 2009
Justo a dona
É justamente à cintura de listras e letras
Que a moça leva o cinto acima de arestas
Com as lembranças dos janeiros de cantos e festas
De sol sublimante e sentimentos inteiros
Justo a dona, a moça de inocência aparente
Ao estar presente palpita poemas, suscita suspiros
Provoca dilemas, se faz amorosa
E lateja minha mente em assopros de prosa
Para julho em anos nós temos um tempo
Rumamos setembro vivendo a estação
Entre joelhos e planos construamos um templo
E na primavera primeira colhamos a mão
É exatamente o que sinto, até quando minto, que me traz à pena
Pois a poesia é um cinto que quando escrevo me adorna a cena
Mas se não a escrevo, se aperta e me sufoca
Como faz a moça, a dona do que sinto, quando se ausenta
Que a moça leva o cinto acima de arestas
Com as lembranças dos janeiros de cantos e festas
De sol sublimante e sentimentos inteiros
Justo a dona, a moça de inocência aparente
Ao estar presente palpita poemas, suscita suspiros
Provoca dilemas, se faz amorosa
E lateja minha mente em assopros de prosa
Para julho em anos nós temos um tempo
Rumamos setembro vivendo a estação
Entre joelhos e planos construamos um templo
E na primavera primeira colhamos a mão
É exatamente o que sinto, até quando minto, que me traz à pena
Pois a poesia é um cinto que quando escrevo me adorna a cena
Mas se não a escrevo, se aperta e me sufoca
Como faz a moça, a dona do que sinto, quando se ausenta
04 outubro 2008
Três mil duzentos e oitenta e sete
A faca cuja força fere é fato
Mas três são só sinais que não trituram
O sol, o sonho e o sal não poupam ato
Tilintam bocas, peles e dedos (sem tato)
O sol que assombra a fala mete medo
O medo que escalda, cala e mede ordem
A ordem em toda ode me odeia
Odeia cada dado que remordem
O sonho em todo som se acentua
Até na tinta que temos no sangue
Até na sina que sonhamos cena
Até na vida que tornamos drama
O sal que achamos rolando na face
Que aprendamos a fazê-lo tempero
E possamos usá-lo bem a gosto
No rumo que içamos as velas
Três mil duzentos e oitenta e sete
Três mil duzentos e oitenta e sete
Este corpo foi levado em festa
Mas festas não lavam o mundo
À vítima fatal 3287 da violência pernambucana em 2008.
Mas três são só sinais que não trituram
O sol, o sonho e o sal não poupam ato
Tilintam bocas, peles e dedos (sem tato)
O sol que assombra a fala mete medo
O medo que escalda, cala e mede ordem
A ordem em toda ode me odeia
Odeia cada dado que remordem
O sonho em todo som se acentua
Até na tinta que temos no sangue
Até na sina que sonhamos cena
Até na vida que tornamos drama
O sal que achamos rolando na face
Que aprendamos a fazê-lo tempero
E possamos usá-lo bem a gosto
No rumo que içamos as velas
Três mil duzentos e oitenta e sete
Três mil duzentos e oitenta e sete
Este corpo foi levado em festa
Mas festas não lavam o mundo
À vítima fatal 3287 da violência pernambucana em 2008.
29 agosto 2008
O espelho e o sorriso
Eu sonho sentir o sabor do teu sorriso
Daquele calmo, bem por dentro gargalhado...
Deixe-me ver o vento no vermelho piso
Arrastando as folhas do teu lado
Vermelho: como o que vês no corpo;
Em cada ponta pintada do teu carpo
Refletido como flecha no espelho
Estendido na miragem do teu lábio
Doce viagem faz aquele astrolábio
Medindo o cosmos da imagem infinita...
O céu cerrado na beleza incontida
Da alma leve e branca que exibes ao sorrir
Daquele calmo, bem por dentro gargalhado...
Deixe-me ver o vento no vermelho piso
Arrastando as folhas do teu lado
Vermelho: como o que vês no corpo;
Em cada ponta pintada do teu carpo
Refletido como flecha no espelho
Estendido na miragem do teu lábio
Doce viagem faz aquele astrolábio
Medindo o cosmos da imagem infinita...
O céu cerrado na beleza incontida
Da alma leve e branca que exibes ao sorrir
23 julho 2008
Por prazeres pueris
Plantada com mero esmero a estrela da companhia
Tem pra si todo labor dos laboratórios da dança
Trapézios, plantas, pompas, que fazem lápis de lança
Para pôr suposta honra em pretensos desonrados
Ela pretende professar e espalhar elevação
Só que se ao nome que carrega não se é feito jus
Não pode perfurar o professor que não tem luz
Os recônditos sabores do saber de pré ou pós-parados
Ela, como uma flor que adubada fecha mais o seu botão,
Força menos a razão pra ser vista encantadora
Mas o jardineiro tolo tolhe a pista, corta galhos que atrapalham
Fere amigos que trabalham, se lhe tentam atentar
O pêlo todo fica em riste ao saber sobre o que dela todos sabem que existe
E a revolta contra aquela toma conta
Do homem que por ela vezes tantas fez labuta
Em revólveres de fala, grita então fazendo a rima:
- Por teus prazeres pueris canta agora, Catarina!
Tu, que já fostes bailarina, após pulares tantas aulas
Não serás mais sequer assistente de palco .
Tem pra si todo labor dos laboratórios da dança
Trapézios, plantas, pompas, que fazem lápis de lança
Para pôr suposta honra em pretensos desonrados
Só que se ao nome que carrega não se é feito jus
Não pode perfurar o professor que não tem luz
Os recônditos sabores do saber de pré ou pós-parados
Ela, como uma flor que adubada fecha mais o seu botão,
Força menos a razão pra ser vista encantadora
Mas o jardineiro tolo tolhe a pista, corta galhos que atrapalham
Fere amigos que trabalham, se lhe tentam atentar
O pêlo todo fica em riste ao saber sobre o que dela todos sabem que existe
E a revolta contra aquela toma conta
Do homem que por ela vezes tantas fez labuta
Em revólveres de fala, grita então fazendo a rima:
- Por teus prazeres pueris canta agora, Catarina!
Tu, que já fostes bailarina, após pulares tantas aulas
Não serás mais sequer assistente de palco
27 janeiro 2008
Quando a euforia aflora
Quando o fogo fugaz
da fuga racional de um sonho
expele cinzenta fumaça de felizes planos,
o esmaecido abandono desordenado
da rigidez dos dias contemporâneos
nutre gotículas que refratarão a luz.
As cores divididas agitarão os cachorros,
cujos rabos inquietos divertirão o momento...
Eis! É este o movimento de quando se finda a labuta
e a animalidade bruta, controlada, se transmuta.
O homem vence trabalhando o sonho.
É quando a euforia aflora – e então vem forte, sem hora...
da fuga racional de um sonho
expele cinzenta fumaça de felizes planos,
o esmaecido abandono desordenado
da rigidez dos dias contemporâneos
nutre gotículas que refratarão a luz.
As cores divididas agitarão os cachorros,
cujos rabos inquietos divertirão o momento...
Eis! É este o movimento de quando se finda a labuta
e a animalidade bruta, controlada, se transmuta.
O homem vence trabalhando o sonho.
É quando a euforia aflora – e então vem forte, sem hora...
17 novembro 2007
Lagoa Ovacionada
O leito é terra firme
Suportando toda água
E as angústias de quem vive
Liquefeito em sua mágoa
As bordas circulares
Abrigam a quem luta
Sejam grandes palmeiras
Ou grama semi-enxuta
A força das raízes
Humidificadas de tormento
Sustenta, tal matrizes
Sanando o invento
O tronco amarronzado
Faz da lama cimento valoroso
Maneja o mangue imundo
E o frutifica galhardo
As flores são em si
Tão doce provento
Brancas, vermelhas, violetas
Artistas de todo motejo
Com um palco em sua margem
A lagoa está formada
E o aquoso público da imagem
Faz dela a lagoa ovacionada
Suportando toda água
E as angústias de quem vive
Liquefeito em sua mágoa
As bordas circulares
Abrigam a quem luta
Sejam grandes palmeiras
Ou grama semi-enxuta
A força das raízes
Humidificadas de tormento
Sustenta, tal matrizes
Sanando o invento
O tronco amarronzado
Faz da lama cimento valoroso
Maneja o mangue imundo
E o frutifica galhardo
As flores são em si
Tão doce provento
Brancas, vermelhas, violetas
Artistas de todo motejo
Com um palco em sua margem
A lagoa está formada
E o aquoso público da imagem
Faz dela a lagoa ovacionada
27 outubro 2007
Poesia da demência
Quando a ausência em mim se fez presente
Sob resplandecente rio garboso
Só na aparência apareci contente
Sobre fétido chorume intravenoso
Quando a essência se mostra dormente
Espuma-se toxina mortal
Navegamos intrépidos n'anodinia demente
Escondendo a certa face neste eterno carnaval
Sob resplandecente rio garboso
Só na aparência apareci contente
Sobre fétido chorume intravenoso
Quando a essência se mostra dormente
Espuma-se toxina mortal
Navegamos intrépidos n'anodinia demente
Escondendo a certa face neste eterno carnaval
30 setembro 2007
Efeitos do Outono
Vejo o movimento e paro
Olho atento, eternizo
Uma a uma vai bailando
Esboçando meu sorriso
Verde vejo - e de leve amarronzado
Vendo agora do ramo desprendido
Segue o ar, o ritmo fortúito,
Pelo salão até o solo enternecido
Tento e digo as folhas amo
Pois, tanto, que amo a árvore
Amo, então, o que mata chamo
E chamo a vida pelo entrave
Se tudo amo, classe, oras
É que amor (diz bem verdade)
Não se tem por algo, se tem e simples
Se faz verbo intransitivo
Sendo assim então a ti
Pessoa por que ardo e desejo nutro
Não te amo
Eu te eros.
Olho atento, eternizo
Uma a uma vai bailando
Esboçando meu sorriso
Verde vejo - e de leve amarronzado
Vendo agora do ramo desprendido
Segue o ar, o ritmo fortúito,
Pelo salão até o solo enternecido
Tento e digo as folhas amo
Pois, tanto, que amo a árvore
Amo, então, o que mata chamo
E chamo a vida pelo entrave
Se tudo amo, classe, oras
É que amor (diz bem verdade)
Não se tem por algo, se tem e simples
Se faz verbo intransitivo
Sendo assim então a ti
Pessoa por que ardo e desejo nutro
Não te amo
Eu te eros.
17 agosto 2007
Os meus olhos querem ver-te
Por ventura, num bilhete
Prisco a leitura é lembrete.
Parcial corrosão presente
Quanto intensa era na mente.
Já recordado o passado,
Nos meus planos quero ter-te
Colorida, sem falsete
E do papel contrastado,
Nem um pouco desbotado,
Tendo então vivacidade
Estando todo amaçado
Tal qual pele pela idade
Ai! Quem dera essas lembranças
Futuro fossem não só ânsias...
Papel anodiniaria
Seríamos nós alegria
Mas, fiquemos... sós. Eu. A carta.
O desejo. Ardamos! Sós...
E que desatemos nós.
Cortejo: Que tu não parta.
Os meus olhos querem ver-te
Com teus olhos envolver-me
Em teus panos - nada inerte!
Desenganos? Passa, enferme!
Prisco a leitura é lembrete.
Parcial corrosão presente
Quanto intensa era na mente.
Já recordado o passado,
Nos meus planos quero ter-te
Colorida, sem falsete
E do papel contrastado,
Nem um pouco desbotado,
Tendo então vivacidade
Estando todo amaçado
Tal qual pele pela idade
Ai! Quem dera essas lembranças
Futuro fossem não só ânsias...
Papel anodiniaria
Seríamos nós alegria
Mas, fiquemos... sós. Eu. A carta.
O desejo. Ardamos! Sós...
E que desatemos nós.
Cortejo: Que tu não parta.
Os meus olhos querem ver-te
Com teus olhos envolver-me
Em teus panos - nada inerte!
Desenganos? Passa, enferme!
27 julho 2007
Impressão: verbo
Quero andar, cair, levantar.
Andar denovo, seguir, pular,
Andar, parar, andar, correr.
Tropeçar, torcer o pé. Paralizar.
E andar.
Difícil é dizer a ordem
E aonde vou chegar.
Andar denovo, seguir, pular,
Andar, parar, andar, correr.
Tropeçar, torcer o pé. Paralizar.
E andar.
Difícil é dizer a ordem
E aonde vou chegar.
25 março 2007
Conversinhos nº 01
É, rapaz. Ás vezes, a vida nos surpreende. Como quando conversam filho com mãe, criadora e criatura. Então, eis que, afogado nas cordas sonoras, surge, de repente, palavra interessante, que com versos mais parece. Regados a etílica substância não podem ser rimas do trabalho. Assim, reproduzo simplesmente a quem interessar:
- Quando eu morrer, Deus deve dizer que meu pecado foi ter amado demais.
- Ah, mas isso não é pecado...
- Sei lá, e quem sabe? Ele que vai julgar.
- Quando eu morrer, Deus deve dizer que meu pecado foi ter amado demais.
- Ah, mas isso não é pecado...
- Sei lá, e quem sabe? Ele que vai julgar.
13 março 2007
Meu em me
Porco em lama
Corpo me alma
Mala em cama
Marca me fala
Todo em chama
Morto me acho
Novo embaraço
Malvada me choca
Cala em boca
Tolo me torno
Faca em moça
Douto me dano
Corpo me alma
Mala em cama
Marca me fala
Todo em chama
Morto me acho
Novo embaraço
Malvada me choca
Cala em boca
Tolo me torno
Faca em moça
Douto me dano
12 março 2007
Primeira imagem: 47
O mais esteticamente interessante número de minha mente.
Resultado da quente tarde que comemora o aniversário do Recife.
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